Será que estou igual ao Brasil?

A tragédia recente que aconteceu em  Brumadinho-MG me levou a fazer uma analogia do Planejamento de Vida com o planejamento do país. Sem dúvida vou ressaltar algumas falhas  na nossa cultura mas quero deixar claro que é para fins provocativos e benéficos, para buscar melhorar sempre. E que isso não quer dizer que tudo é ruim no Brasil nem nas nossas vidas. Mas que precisamos melhorar muito, como pessoas e como sociedade,  isso é evidente!

Olhando no Espelho

Se fosse fazer uma lista de como o Brasil age e como eu faço na minha vida, seria muito diferente? Alguns fatos bem claros que acontecem no Brasil:

  • Não administra bem o que arrecada
  • Não consegue definir prioridades
  • Quer levar vantagem em tudo
  • Perde muito dinheiro com juros
  • Debate demais e faz pouco
  • Fica mais tempo endividado do que superavitário
  • Tem uma política forte de financiamentos
  • Qualquer crise externa ou interna abala muito fácil o equilíbrio
  • Busca sobreviver e tem dificuldade de fazer planos de longo prazo
  • Acha que alguma força divina vai intervir em seu favor
  • Não faz ideia de quanto é influenciado por interesses alheios

Identificou pelo menos alguns que pratica ou sofre na sua vida? Nossa cultura reflete nosso país e em matéria de planejamento, atitude e riscos o Brasil é bem atrasado. A mensagem aqui é não ficar só criticando, partir para quebrar um ciclo e investir em se enxergar e fazer diferente o planejamento da sua vida e do seu dinheiro.

Tragédias X Falta de Planejamento

Como especialista em planejamento eu sempre falo para as pessoas que o conceito que conhecemos sobre este tópico está errado. Não é uma fase e ninguém consegue planejar tudo, há um limite. Portanto planejamento é um processo que engloba a execução e precisa ser mantido, retro alimentado e acompanhado. Daí vem outro conceito que também beira a zero na nossa cultura: riscos.  O resultado previsível é que sempre corremos riscos pois não há certeza sobre tudo.

Até aí tá fácil de visualizar e bem lógico. Vamos continuar mais um pouco. A palavra tragédia significa algo trágico, infortúnio, infelicidade, etc. Fica totalmente condicionada a um fator externo, que não depende de nós, imprevisível. Sim todos estamos sujeitos a isso. O que nos leva novamente ao conceito de riscos. Estou sujeito, mas quanto? Qual a proximidade desse fato ocorrer? Se acontecer, quais serão os impactos para mim? Consigo diminuir de alguma forma? Saber do risco e não tomar atitude não configura tragédia, configura descaso, falta de visão e isenção da única parte que é nossa, as atitudes.

Portanto sorte ou azar não estão no nosso domínio. Vamos focar no que podemos fazer diferente nas nossas vidas. Para começar vou trazer aqui algumas de várias coisas fundamentais a serem analisadas sob essa ótica.

Possíveis barragens que formamos na vida

Aposentadoria: numa economia imediatista e de sobrevivência pensar no futuro é difícil. Por isso a aposentadoria é um tema tão polêmico e complexo. E para ajudar não fazemos nossa parte para mudar isso. O conceito não é aprofundado. Acreditamos em benefícios que não testamos de forma muito passiva e ingênua. Empurramos pra debaixo do tapete porque é mais confortável. Preferimos o “me viro com o que tiver” do que investir em planejar e usar o tempo a favor.

Moradia: todos precisam morar em algum lugar e o apelo do lar muitas vezes é supervalorizado e super explorado. Será que por ter uma crença tão forte não estamos canalizando neste item uma represa que ficará difícil de administrar? O quanto vai custar isso pra minha vida? Tenho total clareza sobre o que é formar patrimônio? Vejo muita gente não ter essa noção, acreditar que estão certos, repetir padrões passados. E tem um mercado que adora e se abastece desse fato.

Carreira: hoje vemos várias eras juntas no mercado. Desde os que viveram os tempos mais lineares, de construção de carreira formatada, até aqueles em que nenhuma carreira é boa suficiente e não há mais fórmulas ou formas garantidas, o trabalho formal versus o empreendedorismo. Eu trabalho com pessoas de todas as idades e que enfrentam essas mudanças, cada um com sua realidade. Mas o que todos têm em comum: não gostam, não sabem ou não  querem planejar! Os mais quadradinhos acreditavam em acumulação e bônus, na formação clássica de patrimônio. Os mais moderninhos querem ficar rico logo, se aposentar muito cedo e aí ou curtir a vida ou trabalhar por amor. Empreender ou morrer tentando! Será que essa represa aguenta? Será que não estou correndo riscos desnecessários? Será que não estou aumentando meu risco por falta de planejamento?

Eu não quero me tornar aquilo que mais critico

O Brasil parece não aprender com os desafios que enfrenta e nesses momentos todos criticam isso. Mas será que nós não fazemos o mesmo? Quantas barreiras frágeis temos no aspecto da nossa vida? Você já parou para pensar em todas as aŕeas da sua vida e avaliar como elas estão antes que transbordem? Como seu dinheiro está realmente alinhado com o que quer e precisa? Entende que sem planejamento é que corremos mais riscos? Acha que isso não reflete na forma como administra seu dinheiro? Nesse aspecto não seja como o Brasil de hoje.

Quanto maior o desespero, mais acreditamos em qualquer coisa. Nos momentos de crise precisamos muito do equilíbrio razão e emoção. Mas o segundo tende a dominar e isso no longo prazo não traz bons resultados. Nos momentos sem crise precisamos colocar em prática o aprendizado, tentar de outro modo, entender os riscos e trabalhar para melhorar e não se acomodar. Frase famosa: “Entre o plantar e o colher, existe o regar e o esperar.”

Nós temos a necessidade de esforço, de mudar para melhor. A expectativa de aprender a fazer melhores escolhas e o desejo de se dedicar a obter um equilíbrio e uma qualidade de vida maior. Desse jeito acredito num futuro melhor, em que o Brasil vai estar igual a nós.

Fique Bem de Vida !!!

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