E se o “Tá bom assim” não for suficiente?

Falo com muitas pessoas sobre Planejamento de Vida. Uma das coisas que escuto bastante é que por já investirem seu dinheiro de alguma forma, ou por já ter um plano de previdência, ou fazerem planos, e não planejamento, não precisam de mais nada, tá bom assim. Pois bem eu quero com esse texto levantar aspectos que precisam de mais atenção do que parece, abrir os olhos para os efeitos de nossa cultura pobre em educação financeira, planejamento e dominada por um mercado com muitos conflitos de interesse.

Cuidado onde coloca seu dinheiro

Todo mundo já sabe que nem sempre o que é legal, dentro da lei, é ético. O mercado financeiro segue as leis do Banco Central. Ele não esconde nenhuma informação. Apenas pode mostrar do melhor jeito para ele, o que pode levar o consumidor, que não tem a educação necessária para analisar, a conclusões enganosas. Isso sem contar em todas as formas e técnicas de convencimento do marketing.

Conflito de interesses é um bom nome para o dilema legal e ético.  Já vi propagandas de fundos de investimento com uma arte impecável, gráficos maravilhosos e um número destacado da rentabilidade de encher os olhos. Mas você sabe calcular realmente a rentabilidade de um fundo? Sabia que a taxa de administração pode chegar a representar um terço do seu lucro? Se olharmos só a grandeza do número estaremos fazendo mau negócio.

Ah mas tá bom assim, eu confio na minha análise, ou conheço profundamente a pessoa que me recomendou, ou no funcionário da instituição que quer vender afinal eles só querem nosso bem. Mas e se no final não for suficiente? Você descobrir depois de um bom tempo, alguns uma vida, que negligenciou o quanto de perigo corria e que confiou demais sem ter critério para isso? Nunca é tarde demais, mas o tempo não perdoa, ele cobra seu preço.

Se estou conseguindo investir, tá bom assim

Eu sempre menciono a ilusão de invulnerabilidade que os superavitários estão sujeitos. Lógico que estar investindo é melhor que estar devendo. Mas não é garantia de sucesso e também corre muitos riscos.

Seguindo essa máxima você está deixando o dinheiro mandar na sua vida e está exposto a efeitos identificados na psicologia econômica de excesso de otimismo e autoconfiança

O dinheiro manda na sua vida quando você só tem controle, se tiver mesmo,  e alguns objetivos soltos. Para reverter isso é necessário Planejamento de Vida! Aumentar seu campo de visão, investir seu tempo e ter real clareza sobre objetivos e valores. Saber da necessidade de acompanhamento e correção de rota. Só assim conseguirá pôr na balança se o preço que a vida está te cobrando no presente vale a pena e realmente vai te dar o que quer no futuro.

Otimismo demais é bom só para o subconsciente e autoconfiança demais só para o ego. Nos momentos em que o trabalho aperta, tem muita coisa na cabeça com a família e o tempo fica escasso, nos sentimos menos mal por pelo menos estarmos colocando o dinheiro em algo. Tá bom assim. O problema é que isso vira padrão para a vida toda. Precisa colocar energia para quebrar esse ciclo de costumes passivos. Planejar dá trabalho, mas também dá o melhor para você.

No final vai ter que encarar o “Tá bom assim”, compreendeu?

Vou usar um exemplo clássico que vejo ocorrer muito: Aposentadoria. Para quem trabalha em empresas, muitas delas oferecem o benefício da previdência privada. Cada uma com suas regras e formas de contribuição específicas. Ou mesmo quem contrata por fora para complementar. Na nossa cultura acreditamos que aquele montante que é debitado do salário, ou que pago, que em geral alguém do banco ou corretora calculou para você, será suficiente para manter sua vida no tempo e condições de sua aposentadoria.

Não estou falando que estão todos errados. Mas estou provocando ir mais a fundo num assunto tão importante e tão longo. Não apenas acreditar e confiar numa só fonte. Mas na maioria dos casos é isso que vem acontecendo. O resultado no final vocês já deduzem, vai ter que ser virar com o que tiver.

Outro exemplo que gosto de trazer à tona é moradia. Na nossa cultura um ponto quase imutável é o conceito de casa própria. Não sou contra ter a sua casa. Também não sou contra entender que há muitas formas para isso e não apenas financiar. Os tempos passam e precisamos nos adaptar. O conceito de valorização de patrimônio em imóveis precisa ser melhor entendido. Vejo famílias passando necessidades mas pelo menos têm a casa própria. Tá bom assim.

E carros? Será que não fomos influenciados demais por certos países? Será que não nos rendemos aos apelos emocionais e ao prazer que eles nos dão? Apenas perguntas para voltar na máxima que tudo tem um preço. Você sabe de verdade o custo do seu carro na sua vida? Eu gosto de carros, mas minha vida tem prioridades e tenho que ter coragem para assumi-las. Só assim posso falar se tenho um carro de acordo com meu contexto de vida.

Por fim o que mais quero é despertar que essa mentalidade do “Tá bom assim” é muito passiva. Nossa cultura de riscos também é pobre e por isso não identificamos o perigo da passividade. Só vamos dar conta na prática, com o passar do tempo.

Não confunda passividade com equilíbrio. Se realmente, lá no fundo, com toda a clareza você conseguir falar verdadeiramente que “tá bom assim”, é porque atingiu uma vida plena e sábia. Quando tá realmente bom a gente sorri muito mais que reclama, confia muito mais que tem medo. E o Planejamento é um dos principais caminhos para atingir esse nível. A vida cobra seu preço. Por isso devemos ter ela como foco e não somente o dinheiro.

Fique Bem de Vida !!!

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