Os Três Estados Financeiros: Devedor, ‘Zero a Zero’ e ‘Sobrador’

Você sabe realmente e de forma imparcial qual é o seu? Quais os riscos de cada um? Convido a leitura pois pode não ser tão óbvio. Ao final espero que você consiga avaliar com clareza em qual estado financeiro está e as características que cada um precisa refletir em matéria de plano de vida.

À princípio todos eles baseiam-se na relação de quanto você ganha e quanto você gasta:

  • Devedor: Termo correto é Deficitário. Gasta mais do que ganha, por isso sua conta não bate e precisa cobrir essa diferença em geral com empréstimos, tornando-se devedor
  • ‘Zero a Zero’: gasta exatamente o que ganha
  • ‘Sobrador’: Termo correto é Superavitário. Ganha mais do que gasta por isso tem sobra no seu orçamento.

Devedor / Deficitário

Há pessoas que ‘estão devedor’ e pessoas que ‘são devedores’. Podem estar num momento devedor porque precisaram para uma emergência, para um empreendimento ou porque não tem planejamento nem controle. Em geral usam os juros contra seu favor, ou seja, pagam juros a terceiros. (comentei o que são juros com foco em vida no artigo anterior – leia aqui).

Se essa situação for momentânea, vai ficar um pouco mais caro por causa dos juros da quantia emprestada, mas vão sair dessa. Poderiam estar melhor se junto a um planejamento de vida estruturado se preparassem com uma reserva de emergência onde pagariam juros para eles mesmos.

O risco começa a aumentar quando estes momentos passam a ser repetidos ou até mesmo constantes. Em geral, tirando casos crônicos que também necessitam de ajuda psicológica, uma pessoa se torna devedora porque começou ‘estando’ devedora e não se deu conta ou achou normal. O modo de vida foi instaurado e o processo cíclico virou padrão.

Mas cuidado para só enxergar as pontas e achar que está fora desse grupo, pois se você adora um crediário, só faz compras parceladas ou vários dos bens que possui foram financiados, você pode ser um devedor passivo. É aquele que já nasce e vive nessa cultura por isso acha normal, independente do seu balanço no final do mês. Esse é o padrão comum brasileiro.

Outro risco que surge é entrar numa espiral de crise. Quando a coisa foge ao controle e toma proporções assustadoras o melhor a se fazer é procurar ajuda, frear a tendência negativa para ter forças e fôlego. Não é fácil mas quem passa por isso tem mais chances de aprender. Não há maior motivador para aprender e mudar do que a dor. Olhe isso como um ponto positivo para evoluir e não voltar mais a este estado. Quem não aprende com essa situação tende a resolver só a dívida e esquece de resolver o devedor! A estatística de pessoas que voltam a dever é grande.

Zero a Zero

Quem está nesse estado do meio tende a ficar cada hora de um lado da balança: uma hora porque olham e acham que estão melhor que os devedores; outra hora por se acharem piores que os superavitários. Mas em geral acabam no meio mesmo, com um certo conformismo: “tá bom assim, vamos levando a vida”.

Esse é um dos maiores riscos desse estado. Por estarem no limite, qualquer cutucão da vida pode gerar uma queda feia. Ficam estressados com qualquer perda ou excesso. Tendem a confundir conforto com qualidade de vida e usam muito da expressão “eu mereço, trabalhei muito e preciso usufruir”. Eu acredito que todos tem direito a lazer, de desfrutar a vida e o que conquistou.

Mas o problema das pessoas desse estado é que tendem a ter uma visão apenas circunstancial e não do todo. Isso pode causar uma “miopia psicológica”: você prefere não enxergar o que há a frente mesmo sabendo que está lá e, uma hora ou outra, vai ter que passar por aquilo. Podemos dizer que quem pertence a esse estado está em dívida com o seu futuro.

Sobrador / Superavitário

“A ilusão de invulnerabilidade desencoraja a reação que teria fornecido uma proteção genuína” (Brené Brown – A coragem de ser imperfeito).

Muitos podem achar que para esse grupo é só elogio. É óbvio que estar no estado superavitário é melhor, mas engana-se por achar que não corre riscos grandes, alguns até maiores que os anteriores, podendo comprometer sua permanência nesse estado.

Um desses riscos é baixar a guarda. Pode cair na mesma armadilha do conforto, na cilada de achar que está bem (afinal antes mais do que menos!), na prepotência de achar que sabe lidar com seu orçamento por gastar menos do que ganha e, em geral, acreditar que sabe investir mas não sabe ser investidor. Normalmente pessoas desse estado enaltecem o fato de serem controladas, mas na verdade só isso não é suficiente, não têm ideia do que é planejamento e quanto poderiam estar melhores agora e no futuro.

De todos os três estados qual você diria que é o que tem a chance de ser mais explorado? O que não tem nada, o que tem pouco ou os que têm mais? Exato, o último. Esse grupo é que é o alvo predileto de bancos, corretoras, seguradoras, etc. Sofrem muito com a falta de educação, com a cultura do achismo e da contabilidade mental, com influência externa e de um mercado voraz que encontra no governo um grande apoiador ao consumo não consciente e ao lucro fácil.

Também podem estar em dívida com o futuro. Ter agora não é garantia de ter no futuro. O prazer e bem estar imediatos podem sair caro e a frustração pode ser mais duradoura. Uma amostra disso é o quanto não sabemos sobre aposentadoria, não temos ideia do quanto vamos precisar no futuro para manter a qualidade de vida da família. Não ter ideia do custo de uma má escolha pode pôr em risco sua situação e mudar seu estado financeiro no futuro.

Planejamento

Planejamento de Vida através do bom uso do dinheiro ajuda os três estados financeiros, cada um com suas necessidades, características e riscos que tem que enfrentar. O objetivo sem dúvida é tornar todos superavitários mas não só em dinheiro, em qualidade de vida! Isso através de planejamento, confiança de com quem se aconselhar para as tomadas de decisão da vida, clareza da situação e mudança de atitudes ajudando a eliminar questões de medo e incerteza ao fazer com que sintam e experimentem que tomar as rédeas da vida é o melhor caminho.

Fique Bem de Vida !!!

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